segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para quem tiver saco, um conto gracinha do alerta silencioso!!!!!!!! ADORO!!!!!!!!!

Diego saiu do trabalho às seis horas. Pegou o caminho de sempre e chegou a casa uma hora depois, cansado. O trânsito estava complicado, mas ele gostava. No carro, sozinho, tinha tempo para pensar nas coisas que lhe agradavam, perdia-se.
No apartamento encontrou Miguel como sempre o encontrava, de camiseta e bermuda, na cozinha preparando qualquer coisa para o jantar. Não suportava mais o tempero de Miguel há algum tempo, aliás, não suportava mais quase nada nele, principalmente seu cheiro. Mesmo assim, sentou-se à mesa com um sorriso e comeu o prato de sopa sorrindo. “Muita pimenta”, pensou... Sentiu saudade de sua mãe, do tempero familiar que lhe alimentou durante a vida toda, mas ela não estava mais ali para preparar nada, havia apenas Miguel e sua comida pretensiosa, apimentada, esquisita.
Terminou de comer e pensou em sua amada televisão. O maldito aparelho era a única coisa que ainda lhe dava algum sossego na vida. Não pela distração, mas pelo silêncio. Não suportava falar. Falava o dia inteiro por obrigação. Alunos, professores, conversas, aulas, falar, falar, falar... Chegava em casa e Miguel queria conversar! Que ódio sentia dele, de sua incompreensão, no fundo no fundo achava que ele fazia de propósito, apenas para irritá-lo, tirá-lo do sério. Vendo televisão, podia ao menos ficar quieto e, com sorte, Miguel calaria a boca.
Enquanto os programas passavam a esmo, enrolou um baseado, como fazia todos os dias, e fumou com gosto, deixando que torpor da doce fumaça lhe corresse nas veias. Pela primeira vez no dia sentiu algum alívio, alguma espécie de prazer. Recostou-se no sofá e colocou os pés sobre as pernas de Miguel que, por milagre, não chegou a protestar. Ele estava diferente essa noite, quieto demais. Sempre foi submisso, servil até, mas onde estavam as reclamações? Os acessos de raiva? Onde estava o companheiro de tantos anos que agora lhe parecia um estranho?
Miguel sorria enquanto assistia à televisão. Estava mais magro, era bonito, másculo pelo menos na aparência, mas estava ausente. Havia em seu olhar qualquer coisa de distante. “Deu comida aos gatos” perguntou Diego a Miguel. “Sim, misturei sopa na ração, eles gostaram”.
Muito estranho, muita educação para Miguel. “Tem algo de errado”, pensou Diego enquanto uma sensação estranha começou a surgir em sua barriga. Era como se seus intestinos se revirassem e dessem nós em suas alças. A boca tornou-se seca e amarga, sua garganta coçava. Levantou-se, foi à cozinha beber um pouco de água. Encontrou os gatos mortos, o chão repleto de vômito. As cólicas pioravam a cada instante, sentiu vontade de vomitar, mas segurou. Não queria vomitar. Sentou-se na sala, zonzo, alucinado. Não sentia mais o corpo quando caiu no chão.
A última visão que teve foi de Miguel, sorrindo, calado, morto

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